sexta-feira, 4 de março de 2011

Venha ver teatro!

A peça "Caras do Brasil" mal começou e já está causando. A peça, escrita por Elmo Ferrér e dirigida por Ronaldo Camelo está surpreendentemente interessante, impecável e engraçada.
Os atores, todos do Grupo de Teatro Icambalacho, estão numa sintonia perfeita. Seja para lidar com os improvisos, seja para experimentar reações. Todos estão no ponto certo.
Quando o diretor Ronaldo Camelo solicitou meu texto para ser feito pelo grupo, confesso que de início hesitei. Achei o grupo um pouco novo demais para investir em comédia, que é um segmento difícil, ainda mais em Brasília, onde os grupos investem pesado nisso. Mas, como pessoa confiante que sou, acreditei que poderia dar certo. Como passei um tempo longe do grupo, não vi o processo de composição do espetáculo. Quando voltei, me surpreendi com uma peça pronta, no tempo certo e com atores preparados para enfrentar o crítico público do Teatro Dulcina de Moraes, onde o grupo faz sua primeira apresentação nos dias 11, 12 e 13 de Março.
Ronaldo Camelo está impecável como Kiky Querida, uma apresentadora de um programa sensacionalista que busca expôr os problemas dos outros em busca de audiência. Tempo impecável, improvisações certas e humor nota dez. Certamente, não imaginei uma Kiky tão bem elaborada.
Outros que me chamam a atenção também, são os atores Eldo Raposo e Arthur Matos, que interpretam as duas carolas dentro de uma igreja falando sobre suas vidas.
Mas seria injusto citar um ou outro ator, pois todos são maravilhosos e estão fazendo o espetáculo com muita categoria.
Vale realmente conferir, não por eu ter escrito o espetáculo, mas por estar realmente perfeito.

CARAS DO BRASIL

Sala Conchita de Moraes
Teatro Dulcina de Moraes

Dia 11 de Março de 2011- 21:00hs
Dia 12 de Março de 2011- 17hs e 21:00hs
Dia 13 de Março de 2011- 17hs e 20:00hs

Entrada: R$ 20,00 inteira

Classificação 12 anos.

terça-feira, 1 de março de 2011

Amor no escuro.

Enquanto isso, numa caverna qualquer...


- Você me faz ver a vida de outro jeito, por outras perspectivas. Com você, meu mundo fica sempre de cabeça para baixo.

- Meu sonho é casar com você e ter vários filhos.

- Sim. Esse também é meu sonho. Quero te dar pelo menos quinze de uma vez só.

- Vamos com calma... a situação hoje não está nada fácil. Vamos começar com três e depois a gente vai aumentando a família.

- Eu adoro quando você me olha desse jeito sabia?

- Sério? Mesmo com esses olhos vermelhos e neste escuro?

- Sim, deste jeito.

- Bem que me disseram que o amor é cego.

- E esse seu sorriso... É simplesmente encantador.

- Você diz isso por que está apaixonada, logo você verá que eu sou igual a todos.

- Pra mim você é único.

- Acabou o sangue, vou ali morder o pescoço de alguém e você não sai daí viu?

- Pode deixar meu bem... não saio daqui nem quando o dia amanhecer.(...) Ah... ele me vira a cabeça...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Disse ele, disse ela.

- Não sei te amar como se deve –disse ela- Amar, é sentimento nobre, sentimento que conheço de um jeito simplório. Amo meus pais, amigos e cachorros. Mas você... Não! Não sei ao certo se amo. Ao menos não como acredito que devo.

- E como acha que deve me amar? –disse ele-

- Devo te amar como se fosse único, especial. Como se fosse meu norte, meu ás, meu porto, meu cais. Devo te amar como se fosse meu. –disse ela-

- É por isso que me deixa? –disse ele-

- Te deixo, por que não precisa de mim. Você é tão grande, tão único, tão deus, que não precisa de ninguém além de si mesmo – disse ela-

- E se eu disser que preciso do seu amor? –disse ele-

- Direi que acredito- disse ela- Você precisa do meu amor, precisa me ouvir dizer que te amo, precisa de alguém que te espere e que pense em você todos os dias. Precisa de alguém que te diga o que precisa ouvir. Alguém que seja o eco do seu ego.

- Então, não acredita no meu amor? –disse ele-

- Acredito. No seu amor por você. –disse ela-

Observou ela partindo sem ímpeto de pedir para voltar.

- Ao menos ainda tenho a mim. – disse ele.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Vida assistida.

E foi assim:


Me levantei após uma noite mal dormida e fui como um zumbi para o banheiro. Fiquei de frente ao espelho e após me olhar por cinco segundos a ficha caiu. A minha vida inteira foi um programa de televisão!

Daqueles, que as pessoas assistem quando querem, mudam de canal nas partes ruins, esqueçem por um tempo e depois voltam a assitir, opinam sobre o que gostaram ou não. A minha vida inteira foi assistida!

O mais triste foi perceber que, assim como os outros, eu também sempre assisti a minha vida. Sempre na poltrona sendo espectador da minha própria existência.

Como uma novela, onde o público decide como dever ser o final do mocinho, a minha vida sempre foi decidida. Pelos outros. Porém, ao contrário das novelas tradicionais, o público não sabe ainda quem é o mocinho e o vilão.

As vezes, a minha vida se transforma em um programa dominical. Sem novidades e ridícula ao extremo.

Ora é um desenho animado. Mas no meu caso, o mocinho sempre se dá mal.

Também poderia ser um realit show. Ops! Ela é um realit show.

Mas sabe, eu queria mesmo que a minha vida fosse um filme daqueles que misturam ação, suspense e tudo mais.

A minha vida sempre foi assistida e eu, ao invés de tomar conta do controle, me pego admitindo que ela é um programa.

Bem, é hora de sentar e assitir as cenas do próximo capítulo.



M.J

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Erros sentidos, erros sem sentido e outras coisas.

Erros sentidos, erros sem sentido e outras coisas.

Amargas. Assim foram as palavras que me dissestes.

Doces. Assim foram os beijos que me dera.

Salgadas. Assim foram as lágrimas derramadas.

Um dia, todos os nossos erros se encontrarão num mesmo beco sem saída.

Eles poderão se olhar e verem que, ambos sempre foram iguais, sempre foram os mesmos.

Nossos vasos estão ainda na janela. Não há mais flores. O que resta é terra seca. Mas ele ainda está lá.

Nossos CDs, arranhados, insistem em tocar um som desencontrado, mas a melodia ainda está lá.

Tudo o que resta, é o resto do que resta. Mas ainda resta.

Tudo que sinto, é o resto do que sinto, mais ainda sinto.

Tudo que lembro... você.

Tudo me lembra... você.

Quando nossos erros se confrontarem e verem que sempre foram os mesmos, verão que, sempre se reconheceram, mas nunca se aceitaram. Então, verão assim que, tudo foi extremamente inútil. Seria mais fácil se aceitarem e se olharem com iguais, almas gêmeas. Tolos, banais.

Quem sabe um dia, eu perceba que aquele vaso ali na janela seja apenas um vaso?

Quem sabe um dia, aqueles CDs não toquem mais.

Neste dia então terei te esquecido?

Neste dia então, terminarei de te esquecer?

Neste dia então, não mais vou te reconhecer?

Isso só depende de mim.

Isso só depende de você.

Aqui Jaz.


AQUI JAZ.
No dia que resolvi morrer, recebi um ramalhete de flores vermelhas com um bilhete escrito: te amo!
É assim, todos os dias no mesmo horário.
Ao receber as rosas e ler o bilhete, lembro sempre como é bom ser amada, como é bom ser lembrada.
Neste dia, entre um gole e outro de vinho tinto, despetalei rosa por rosa, fazendo um caminho que ia da sala até o meu quarto. Na minha cama forrada com uma linda colcha branca, pétalas pareciam um lago de sangue. Rosas de hoje com rosas de ontem e de todos os dias, se misturavam á pedaços de cartas e fotografias.
Resolvi que já era hora de chegar a um ponto final.
Calmamente me despi e coloquei aquela camisola branca, que comprei para a nossa primeira noite. Disco  tocando na radiola velha, incensos de rosas perfumando o ambiente. Estava tudo pronto.
Soltei os cabelos e deitei-me na cama na posição de uma verdadeira defunta. Amanhã, quando me encontrarem morta, me encontrarão bela, como nunca fui...
Mais dez minutos e o veneno colocado no vinho faria efeito. E então, enquanto espero, imagens começam a surgir diante de mim, como num telão.
Sempre sonhei com um amor, como aquele dos contos de fada. Minha vida, até então vazia, começou a ter sentido após aquela ida ao parque. O dia em que te conheci.
Você sempre tímido, com o olhar vazio, perdido, sentado num banco, e eu ali, sempre de longe, observando.
Como era bom te observar. Como era bom saber que você estava ali.
Como sempre fui uma pessoa desencorajada, nunca consegui me aproximar. Mas decide: a partir de então, você seria meu marido. Mesmo que você não soubesse. E então, eu te observei até o dia que você deixou de ir. Mesmo assim, eu te via sempre ali, do jeito que está aqui, na minha memória.
Começo a sentir as primeiras pontadas no peito. O veneno faz efeito. Um misto de alegria e confusão começa a tomar conta de mim...
Agora que morrerei, quem me mandará flores? Quem me escreverá bilhetes? Quem me mandará cartas?
Como é difícil olhar fotografias vazias, onde eu, como total e completa protagonista, apareço sempre triste por detrás da câmera.
Quem irá me encontrar aqui, morta nesta cama, se ninguém me procura? Quem irá no meu enterro se ninguém me conhece? Quem me mandará uma linda coroa de flores? Quem?
Quem irá escrever na minha lápide o seguinte epitáfio: Aqui jaz, uma mulher que poderia ter nascido sem nome. Que viu a vida passar através de uma fresta, numa casa trancada e sem iluminação chamada alma.Aqui, no seu lugar de direito, pondo em prática dormindo aquilo que sempre fez acordada: nada! Aqui jaz.


Artigo de um escritor que não sabe onde foi parar a felicidade.


Artigo de um escritor que não sabe onde foi parar a felicidade.
Sabe, eu sinceramente cansei de esperar pela felicidade. Já estou me convencendo que ela não virá. Acho que deve ter pego o ônibus errado e descido em outro ponto, onde certamente, deve ter encontrado alguém com o mesmo nome e achado que era eu. Tudo bem. Outros sentimentos desceram no meu ponto e aprendi a conviver com eles. Alguns fingiram tão bem, que eu cheguei a pensar que fosse ela, mas com o tempo fui percebendo que não era e me desfiz, paguei a passagem de ida deles para algum lugar bem longe de mim.
Volta e meia eu vou no ponto de ônibus, só para conferir se ela vai descer. Sei lá, quem sabe não é? As vezes ela se deu conta que estava com a pessoa errada, pegou a lista telefônica, descobriu meu endereço e veio sem avisar. Também acho que ela poderia ter vindo ontem e, como não me encontrou, voltou pra trás. Ou quem sabe ela está vagando por ai, batendo de porta em porta tentando me encontrar?
Também penso, que ela pode ter ido com aquela minha ex, que por muitas vezes acreditei ser o motivo da minha felicidade.
Não. Acho que não.
Bem, tenho aqui comigo, deixa eu ver: a angústia, o arrependimento, a tristeza, a solidão (que mesmo com tantos outros sentimentos para me acompanhar não que ir embora) , a dúvida. Ah, ali encostada na porta, fumando um cigarro, tomando um wisk e rindo da minha cara está a paixão. Disse que ia na semana passada e até agora não foi.  O amor disse que ia comprar cigarros e até hoje não voltou. Tudo bem.
É, acho que só falta mesmo a felicidade. O pior é que não consigo substituí-la por nada. Merda. Já fumei, bebi, me droguei, fui em show de stand-up comedy, mas nada a substitui.
A alegria esta aqui, me cobrando por que não falei dela ainda. É que eu não lembrava, afinal, ela some e aparece quando bem quer e ainda por cima tenta me enganar sempre, se fazendo passar pela felicidade.
Acho que vou colocar uma música antiga. Tentar ficar um pouco com as lembranças boas, afinal, as ruins precisam sair de férias. Não, acho melhor não. Vai que elas resolvam ficar mais um tempo, é melhor não pagar para ver.
É... acho que vou esperar mais um pouco. Quem sabe não é? Vou checar meus e-mails para ver se ela não mandou algum sinal...
Tinha um aqui, mas era Spam. Droga!
Sabe de uma, vou dormir. Sonhar. A felicidade sempre está no meu sonho, lá no subconsciente. Se bem que ontem achei que ia sonhar com ela e tive um pesadelo terrível. Mas acho que agora, é o melhor a se fazer.
Mas, faz um favor? Se por um acaso ela bater na sua porta, você pode dar meu endereço? Ah, claro. Você vai achar que ela é sua e ficará com ela.
Então vou dormir e esperar né? Fazer o quê?
 Até!
                                                                                                                      M.J